A abertura parcial da Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, no Paraguai, tem exposto graves deficiências de infraestrutura e planejamento urbano do lado paraguaio, especialmente no município de Presidente Franco. A avaliação é do presidente do Conselho de Desenvolvimento de Presidente Franco (Codefran), Ivan Leguizamón, em entrevista à Rádio Cultura Foz. Segundo ele, apesar do início da circulação de caminhões em lastre e da previsão de entrada de ônibus de turismo em horário noturno, a cidade não está preparada para receber esse fluxo.
“O que está acontecendo hoje em Presidente Franco é um caos. Não há sinalização, não há iluminação e os caminhoneiros entram na cidade completamente perdidos”, afirmou Leguizamón. Ele relata que veículos de carga circulam à noite pelas ruas urbanas sem orientação, provocando congestionamentos, danos à fiação aérea e riscos à segurança. “Os caminhões usam GPS, entram na cidade e ficam desorientados. Temos fotos, vídeos e inúmeras reclamações da população”, completou.
Um dos principais entraves, segundo o presidente do Codefran, é o atraso na construção da ponte sobre o rio Mondaí, obra essencial para desviar o tráfego pesado para a zona rural. “Essa ponte não está nem 50% concluída. Sem ela, não faz sentido habilitar o corredor metropolitano, porque os caminhões acabam passando pela cidade”, explicou. O corredor, que liga Presidente Franco à região de Cedrales e Minga Guazú, tem cerca de 20 quilômetros e foi projetado justamente para retirar o tráfego pesado da área urbana.
Leguizamón também critica a burocracia e a falta de ação do governo paraguaio, que, segundo ele, iniciaram tardiamente a obra do rio Mondaí. “Essa ponte deveria ter começado junto com as obras complementares, lá em 2020. Começou muito tarde, por imprudência e excesso de burocracia”, disse. Embora os recursos sejam financiados por empréstimo da CAF (Corporação Andina de Fomento), os atrasos comprometeram todo o cronograma.
Outro ponto destacado é que Presidente Franco não possui um plano urbano adequado para absorver o impacto da nova travessia internacional. “A cidade não foi preparada nem para caminhões, nem para turismo. Não existe um projeto de cidade. Nem sequer está definido onde vão ficar hotéis, restaurantes ou áreas comerciais”, afirmou. Segundo ele, o plano de ordenamento territorial só começou a avançar recentemente, após anos de atraso.
O presidente do Codefran alerta ainda que o atual funcionamento da ponte pode violar cláusulas do contrato de financiamento, que proíbem a circulação de caminhões pela área urbana de Presidente Franco. “Essa restrição existe porque foi analisada tecnicamente. A cidade não está preparada. Mesmo assim, os caminhões estão passando”, ressaltou.
Para Leguizamón, o chamado plano piloto deveria ser suspenso até que as condições mínimas sejam garantidas. “A posição do Codefran é clara: não se deve habilitar a ponte para caminhões, nem mesmo em lastre, enquanto a cidade não estiver preparada. Do jeito que está, só gera prejuízo e tensão social”, concluiu.



















































