Imposto de Renda 2026: mudança confunde, mas regras deste ano seguem iguais

Contador explica quem precisa declarar agora, o que muda só em 2027 e faz alerta para quem tem mais de uma renda ou MEI

Imagem Ilustrativa

A mudança nas regras do Imposto de Renda anunciada pelo governo federal tem causado dúvida na cabeça de muita gente. Para esclarecer o que realmente muda e o que continua igual, conversamos com o contador Elias Dandolini, representante em Foz do Iguaçu do presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná.

Segundo ele, apesar da nova faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil, isso não vale para a declaração que será feita em 2026.

“Vai dar uma confusão na cabeça da população, porque a tabela mudou, mas essa mudança só vale para os rendimentos a partir de janeiro de 2026”, explicou.

Declaração de 2026 segue regras antigas

A declaração que começa em 15 de abril e vai até 31 de maio de 2026 é referente aos rendimentos de 2025.
Naquele ano, a faixa de isenção era de aproximadamente R$ 2.300.

“Quem era obrigado a declarar antes, continua sendo obrigado a declarar agora”, afirmou Elias.

A mudança, segundo ele, só será sentida na prática a partir de 2027, quando será feita a declaração dos rendimentos de 2026.

Salário sem desconto, mas só no futuro

O contador explicou que o trabalhador já começa a sentir a diferença no salário agora.

“A partir de janeiro, quem se enquadra na nova regra já recebe o salário sem o desconto do imposto”, disse.

Mas reforçou:

“Isso não vai repercutir nessa próxima declaração. Essa declaração agora continua normal.”

Quem tem dois empregos precisa somar tudo

Outro ponto de atenção é para quem tem duas fontes de renda.

“Quem tem dois empregos, dois salários, precisa somar todos os rendimentos para fazer a declaração”, alertou.

Mesmo que em um dos empregos não haja desconto do imposto, a soma total é que define a obrigatoriedade.

Mesmo isento, declarar é importante

Elias destacou que estar isento de imposto não significa estar isento de declarar.

“A declaração de imposto de renda é um excelente comprovante de renda”, explicou.
“Ela é muito usada para financiar carro, casa ou pedir crédito em bancos.”

Além disso, existem outras situações que obrigam a declaração, como:

Quem tem MEI precisa ficar atento

Quem tem MEI, mesmo com carteira assinada, precisa redobrar a atenção.

“O governo mudou a regra do trabalhador, mas não mudou a regra do MEI”, explicou.

O limite do MEI continua sendo R$ 81 mil por ano. Parte desse valor é considerada salário e parte lucro.

“O MEI pode não pagar imposto, mas a pessoa física pode acabar pagando”, alertou.

Além disso, o governo vai fazer um controle mais rigoroso.

“Se a pessoa faturou R$ 80 mil e declarou só R$ 30 mil, isso pode gerar problema. O governo cruza notas fiscais, declaração do MEI e movimentação bancária”, disse.

Restituição vai acabar?

Para quem já conta com o dinheiro da restituição, o alerta é claro: no futuro, ela pode acabar.

“Se não houve desconto do imposto na folha, não tem o que restituir”, explicou Elias.

Ele deu um exemplo simples:

“Se antes a pessoa ganhava R$ 7 mil e pagava R$ 700 de imposto, agora ela paga R$ 200. Esses R$ 500 a mais já vêm no salário. Essa é a restituição dela.”

Dica final

Para evitar problemas, o contador recomenda atenção e organização.

“Principalmente quem tem duas fontes de renda deve ficar atento. Se não souber como fazer, procure um profissional”, orientou.

Ele lembra que a maioria dos contadores oferece orientação gratuita e que também é possível acessar informações pelo site da Receita Federal com a senha Gov.br.

“Em 2026, praticamente nada muda na declaração. O que muda mesmo é só em 2027”, finalizou.

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