Prefeitura suspende pagamento de parcela final do contrato da decoração de Natal

Medida teria sido tomada por precaução tendo em vista duas denúncias no Tribunal de Contas do Paraná.

Locação da capivara custou 65 mil por pouco mais de 20 dias de exibição

A Secretaria de Orçamento e Finanças negou um repasse de R$ 440 mil, solicitado pela Fundação Cultural, para quitação da parcela final da despesa com a contratação da decoração natalina da cidade. Segundo a secretária de Orçamento e Finanças, Magda Trindade, isso não significa que o município não pretende honrar com o compromisso. “Por uma questão de responsabilidade, tendo em vista tudo o que está acontecendo, nós estamos esperando a manifestação do TCE sobre a questão”, disse, completando que ‘havendo constatação de que o processo está ok, e acredito que haverá, nós faremos o pagamento’.

A manifestação do Tribunal de Contas do Estado a que a secretária se refere é uma decisão sobre a legalidade da contratação, feita através de inexigibilidade de licitação, e que foi alvo de duas denúncias junto ao órgão fiscalizador externo.

O Observatório Social, após enviar dois ofícios para a Fundação Cultura pedindo explicações e não obter resposta, protocolou denúncia junto ao TCE questionando a contratação. O jornalista Ed Queiroz também denunciou o contrato no TCE, inclusive, pedindo liminar para suspender a validade do contrato.

A suspensão não é mais possível, vez que o contrato já foi cumprido na íntegra pela empresa Bambusa de Maringá, responsável pela confecção, transporte, montagem e desmontagem dos enfeites feitos de bambu.

O que deverá ser analisado pelo tribunal é a legalidade da contratação, sem licitação ou pesquisa de preços. Também despertou atenção e até indignação da população o preço pago pela locação dos objetos de decoração, quase R$ 2,5 mi, tanto pela qualidade, quanto quantidade e ausência de conceito natalino. Os arranjos retratam animais da nossa fauna como capivaras e quatis, entre outros. Os poucos adornos que remetem ao Natal foram considerados muito singelos, decepcionando os iguaçuenses.

A decoração natalina da cidade está cercada de controvérsias. No último momento a Secretaria de Turismo teve de repassar para a Fundação Cultural a verba para sua realização. A demora no pedido de transferência do dinheiro entre as pastas, que teve de ser aprovado pela Câmara de Vereadores, fez com que o contrato com a empresa só fosse firmado com a entrega dos enfeites para o dia 15 de dezembro. Desde ontem, 06, a Bambusa já está autorizada a recolher a decoração. Ou seja, foram cerca de 20 dias de exposição, para um valor milionário.

Ambas denúncias que chegaram ao TCE sustentam ainda que a contratação foi feita sem parecer jurídico favorável. A procuradora da Fundação recomendou que a locação sem licitação não fosse levada adiante. Segundo parecer não havia a constatação firme de que os produtos não tinham similar no mercado para que se fizesse uma comparação de preços.

Além da decepção da população, a situação também teria irritado o prefeito Silva e Luna, que no dia da abertura dos festejos encontrou muito trabalho atrasado. Dalmont Benites, então presidente da Fundação acabou exonerado. Em seu lugar, interinamente, ficou a diretora Cultural Angelita Helena Hanauer. Hoje, 07, tomou posse a nova diretora-presidente da Fundação Cultural Patrícia Iunovich

 

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