A 67ª Cúpula do Mercosul, realizada neste sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR), encerrou a presidência temporária do Brasil no bloco, com a transferência formal da liderança ao presidente do Paraguai, Santiago Peña, que passará a conduzir a agenda do Mercosul nos próximos seis meses. A reunião reuniu os países membros e associados e teve forte foco na agenda de integração econômica e nos acordos comerciais pendentes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou, em seu discurso de abertura, que o Mercosul precisa continuar promovendo o multilateralismo, o desenvolvimento econômico e a cooperação regional, especialmente em um contexto global turbulento. Lula também lamentou que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia não tenha sido assinado durante a cúpula, apesar das expectativas de que isso ocorresse em Foz do Iguaçu. O fechamento do pacto foi adiado por diferenças internas na UE e deve ser retomado sob a presidência paraguaia, com possibilidade de assinatura em janeiro de 2026.
Em sua fala, Lula afirmou que o mundo está “ávido” para estabelecer acordos com o Mercosul e expressou otimismo quanto à possibilidade de avanços futuros nas negociações comerciais, dizendo que o bloco deve conseguir fechar parcerias que não foram possíveis durante sua presidência.
O presidente brasileiro também criticou o atraso da União Europeia no acordo, pedindo “coragem” e vontade política aos líderes europeus para concluir as negociações que já duram mais de duas décadas. Ele enfatizou que o adiamento do pacto não deve representar um retrocesso nas relações, mas um momento para aprofundar o diálogo e retomar as conversas sob a nova presidência do Mercosul.
Além dos temas econômicos, a cúpula também teve menções de Lula à importância da democracia, da integração regional e da soberania dos países membros como pilares do Mercosul, além de críticas a possíveis intervenções externas em crises políticas na região.
Com a conclusão da reunião em Foz do Iguaçu, o Paraguai assumiu oficialmente a Presidência Pro Tempore do bloco, com a missão de conduzir a agenda de prioridades do Mercosul e de continuar as negociações para o fechamento de acordos internacionais, incluindo o esperado tratado com a União Europeia, agora com nova dinâmica de negociação.
