O delegado Marcos Araguari, titular da Delegacia de Homicídios, vai pedir ao Ministério Público a renovação do prazo de 30 dias para a conclusão do inquérito que apura a execução dos meninos Daniel Sidis de Matos (13) e Rogério do Nascimento Chalmam (15). O cabo da Polícia Militar de Foz do Iguaçu, Josué Gueiros da Silva (49), vai ser indiciado por sequestro, duplo homicídio e ocultação de cadáver. O militar é dono da lanchonete que teria sido arrombada pelas vítimas e outros quatro menores. Segundo o delegado, o militar prestou um novo depoimento e só aumentou as contradições, com base no que já havia dito.
A prova até agora contra o militar é o rastreamento do telefone celular dele, feito com autorização da justiça. O relatório das ligações feitas e recebidas são contrárias as declarações no inquérito de que ele estava em casa na hora dos fatos. Segundo o documento da companhia telefônica, na hora da execução dos garotos, que se presume tenha ocorrido entre 1h e 2h da madrugada, o telefone do militar recebeu uma ligação e usava a torre do bairro Três Bandeiras e não a que fica na área onde reside, próximo da avenida JK, diz o delegado.
Ao falar sobre o inquérito o delegado disse na manhã desta quinta-feira (29), que o policial chegou a declarar que um vizinho de sua lanchonete ligou avisando que o estabelecimento estava sendo arrombado, que sem se importar com isso não avisou nenhuma autoridade policial e voltou a dormir. O delegado Marcos Araguari declarou que, ao menos por enquanto, não tem elementos que justifique um pedido de prisão preventiva do policial. Isso só será feito se for comprovado que o indiciado esteja ameaçando testemunhas ou dificultando a coleta de provas.
O comando da Polícia Militar em Foz do Iguaçu manifestou no início da tarde a intenção de ajudar a Polícia Civil, se necessário, no esclarecimento dos fatos, mas que até o momento o comando não tem informações oficiais sobre as acusações contra o policial militar. O relações públicas do 14º BPM, Ten. Marcos Aparecido de Souza, disse que o Cabo Josué trabalha no serviço administrativo do quartel e caso comprava culpa, mesmo estando fora o expediente trabalho o mesmo será punido. O cabo José Gueiros da Silva (49), não foi localizado para falar sobre as acusações.